Tânia Diniz (Dores do Indaiá, 20 de maio de 1949 — Belo Horizonte, 3 de abril de 2020) foi uma escritora, poeta, haicaísta, contista, professora e produtora cultural brasileira. Destacou-se como uma das figuras pioneiras e centrais na difusão da literatura feminina e independente em Minas Gerais, sendo a idealizadora do projeto internacional Mulheres Emergentes.

Biografia e Formação Filha de Oscar Rodrigues de Miranda e Maria da Conceição Boueri Miranda, passou a infância em diversas cidades do interior mineiro devido à profissão bancária de seu pai, período no qual desenvolveu o interesse pela leitura. Na juventude, já em Belo Horizonte, estudou no Instituto de Educação e atuou temporariamente como modelo e manequim nas décadas de 1970 e 1980. Graduou-se em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1975, especializando-se em línguas neolatinas (português, francês, italiano e espanhol). Atuou como professora de idiomas em diversas instituições da capital mineira, incluindo a Fundação Torino, cursos pré-vestibulares e programs de extensão para a terceira idade. Foi casada com Daniel, com quem teve duas filhas: Ana Carolina e Mariana.

Carreira Literária Sua estreia no cenário literário ocorreu em 1988 com o livro de contos O Mágico de Nós, cuja primeira edição esgotou-se rapidamente; a segunda edição (1989) contou com o apoio da marca de roupas Marcel Philippe. Consolidou-se posteriormente como uma das principais divulgadoras do gênero haicai no Brasil, publicando inclusive obras bilíngues como Flor do Quiabo (2001). Ao longo de sua trajetória, sua produção literária e dedicação à cultura renderam-lhe o título de Embaixadora Universal da Paz pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix (Suíça/França), a integração ao movimento Poetas del Mundo e o posto de Membro Honorário da Associação de Jornalistas Escritoras do Brasil (AJEB).

O Projeto Mulheres Emergentes Em 1989, inspirada pela leitura da obra A Mulher Emergente, da psicóloga norte-americana Natalie Rogers, Tânia fundou o jornal mural poético e selo editorial Mulheres Emergentes (carinhosamente conhecido como ME), inicialmente subtitulado "o sensual em cartaz". O projeto, lançado oficialmente no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), nasceu com a proposta vanguardista de oferecer um espaço gratuito e democrático para a expressão artística feminina, expandindo-se a partir da segunda edição para a participação de autores homens. Como mural poético, o projeto publicou, ao longo de três décadas, trabalhos de diversos artistas nacionais e internacionais. Apresentou inicialmente periodicidade trimestral; contudo, apesar de interrupções temporárias decorrentes de problemas de saúde de sua fundadora, o veículo manteve-se continuamente ativo e atualizado. Sob a chancela da Mulheres Emergentes Edições Alternativas, dirigiu importantes projetos editoriais coletivos, tais como:

Coleção Almanach de Minas (1997): Reuniu obras de 17 autores em comemoração ao centenário de Belo Horizonte. Coleção Milênio (2001): Reuniu escritores brasileiros de múltiplos estilos. Antologia e Coleção ME 18 (2007): Celebrando os 18 anos do projeto, reuniu poetas de destaque, incluindo registros geracionais de mães e filhas escritoras. Antologia Meninos ME (2009): Publicação composta exclusivamente por autores do sexo masculino, editada com o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte.

Concursos Internacionais Entre as décadas de 1990 e 2000, antes da popularização da internet, o projeto organizou sete concursos literários internacionais. O primeiro deles (1992–1993), em celebração aos três anos do mural, recebeu mais de 1.600 poesias e 200 ilustrações, aceitando inscrições em cinco idiomas. O corpo de jurados foi composto por intelectuais renomados como Affonso Romano de Sant'Anna, Antônio Barreto, Lúcia Castello Branco e Nelly Novaes Coelho na literatura, e Ângela Lago, Lor e Yara Tupinambá nas artes visuais.

Legado e Atuação Cultural A relevância biobibliográfica de Tânia Diniz é registrada em enciclopédias especializadas, destacando-se o Dicionário Crítico de Escritoras Brasileiras (1711-2001), de Nelly Novaes Coelho. Sua produção e o projeto Mulheres Emergentes foram alvos de estudos e pesquisas acadêmicas em universidades nacionais e internacionais, incluindo teses na Universidade de Lisboa (Portugal), Universidade de Nantes (França) e Frederictown (Canadá), além de ampla cobertura em edições especiais da imprensa literária regional. Participou da democratização da poesia em espaços urbanos por meio de poemas incluídos no projeto "Leitura para Todos" (parceria UFMG e Tela Texto), que estampou textos em ônibus de Belo Horizonte e Contagem, e em iniciativas similares no metrô da CBTU. Desenvolveu também atividades literárias integradas à comunidade local, promovendo saraus e eventos na Regional Centro-Sul da capital mineira. Em 2008, idealizou a *I Mostra Mineira de Haicai Mulheres Emergentes* no Terminal Rodoviário de Belo Horizonte, celebrando o centenário da imigração japonesa no Brasil. Na fase final de sua vida, manteve o quadro quinzenal "Tarde Poética" no programa *Revista da Tarde* na Rádio Inconfidência AM (2018–2019).

Referências Em 2019, ano do trigésimo aniversário do Mulheres Emergentes, foi condecorada com a **Comenda Mérito Social – Categoria Gente do Bem** pela Câmara Municipal de Belo Horizonte e homenageada na Academia Mineira de Letras. Faleceu em 3 de abril de 2020, em Belo Horizonte, após uma histórica batalha de duas décadas contra o câncer de mama, recebendo amplas homenagens da comunidade artística e da imprensa mineira. Em consonância com seu desejo de fomento à leitura, parte de seu acervo bibliográfico pessoal foi doado para a fundação do 1.o Museu Mineiro de Poesia e para o projeto socioeducativo "Ser Parte".

Obras selecionadas O Mágico de Nós (Contos; 1.a ed. 1988, 2.a ed. 1989) Mulher EmBalada (Poesia/Cartões-poemas em formato de pacote, 1992) Bashô em Nós (Haicais; coautoria, 1996) Relatos de Viagem à Marmelada (Haicais, 1997) Rituais (Contos, 1997) Flor do Quiabo (Haicais; edição bilíngue, 2001) Corpo de Sonho (Poesia, 2019) — ISBN 978-65-80074-16-7

Referências

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